
Minas Gerais foi o segundo estado brasileiro que mais registrou casos de feminicídio em 2025, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do governo federal. Ao todo, 139 mulheres foram mortas por agressores, o que representa uma média alarmante de quase três feminicídios por semana. O estado ficou atrás apenas de São Paulo, que contabilizou 233 casos, e à frente do Rio de Janeiro, com 104 registros. Em todo o país, foram 1.470 ocorrências, o maior número dos últimos dez anos.
O ano foi marcado por protestos e mobilizações nacionais contra a violência de gênero, enquanto nomes de mulheres assassinadas passaram a ocupar noticiários, atos públicos e manifestações como forma de denúncia, memória e luto. Em Minas, casos de grande repercussão evidenciaram a brutalidade do crime e a vulnerabilidade das vítimas.
Entre eles, o de Clara Maria, de 21 anos, assassinada e concretada na região da Pampulha, em Belo Horizonte, em março de 2025, Soraya Tatiana Bonfim, de 56, morta pelo próprio filho em julho, também na capital, e Rúbia de Fátima Souza, de 43, assassinada a tiros pelo companheiro, um policial penal, em Uberlândia, no mês de agosto.
O último feminicídio do ano vitimou Cinthya Micaelle Soares Roliz, de 26 anos, no bairro Jardim América, em Belo Horizonte. No dia 31 de dezembro, a jovem teve a casa invadida pelo ex-companheiro, que efetuou diversos disparos enquanto ela dormia ao lado da filha do casal, de apenas cinco anos.
A mãe de Cinthya, a cozinheira Angela Fernandes Soares, de 48 anos, relata a dor profunda deixada pelo crime. “Não estamos vivendo, estamos sobrevivendo. É uma dor muito grande. Ele fez ela sofrer tanto, com agressões psicológicas e físicas, e a matou. Nada vai trazer minha filha de volta”, desabafa.
Nesta quinta-feira (22/1), após três semanas de buscas, o agressor foi localizado e preso pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Durante esse período, a família viveu sob constantes ameaças e precisou deixar a cidade por segurança. No dia 9 de janeiro, data de seu aniversário, Angela conquistou judicialmente a guarda da neta, que agora está sob sua proteção.
Diante dos números recordes e das histórias que se repetem, especialistas e movimentos sociais reforçam a importância da denúncia e do fortalecimento da rede de proteção às mulheres.
Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, para orientação e denúncia de situações de violência.

















