Um resort de luxo no interior do Paraná, frequentemente associado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, voltou ao centro de debates após reportagem do Metrópoles esclarecer a origem e a propriedade do empreendimento. Apesar de ser conhecido popularmente em Ribeirão Claro como “o resort do Toffoli”, o Tayayá Resort jamais pertenceu oficialmente ao magistrado.
Os repórteres Valentina Moreira e Sam Pancher, do Metrópoles, estiveram hospedados no local e apuraram que o resort foi vendido formalmente por dois irmãos e um primo de Dias Toffoli a um advogado ligado à J&F, conglomerado empresarial dos irmãos Batista. Antes dessa transação, os parentes do ministro haviam negociado participação no empreendimento com um fundo que tinha entre seus investidores o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Apesar dessa complexa teia de negócios, a associação do nome de Toffoli ao resort é recorrente na cidade. Isso se deve, em grande parte, à frequência com que o ministro visita o local. Ele já promoveu festas no empreendimento, dispõe de uma casa exclusiva em uma área nobre do resort — localizada no alto de uma colina com vista para a represa de Xavantes — e conta com um barco que permanece à sua disposição.
Ainda assim, registros imobiliários confirmam que Toffoli nunca foi proprietário do resort Tayayá nem do barco ancorado na represa. A comparação feita na reportagem relembra outros casos de associações populares sem respaldo legal, como o episódio do Sítio de Atibaia, atribuído ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que também nunca esteve em seu nome.
O texto ressalta que o salário de um ministro do STF, inferior a R$ 50 mil mensais, inviabilizaria a posse direta de um empreendimento desse porte. Ter parentes bem-sucedidos nos negócios, segundo a apuração, não implica necessariamente riqueza pessoal do magistrado.
A reportagem também aponta que o resort abriga atividades de apostas. Há máquinas consideradas legais no Paraná, mas também foram constatadas sessões de jogos a dinheiro, prática ilegal em todo o território nacional.
O caso reacende discussões sobre percepções públicas, associações indevidas e a necessidade de separar fatos comprovados de interpretações apressadas no cenário político e institucional brasileiro.