
A concessão da rodovia BR-153 e MG-262, à empresa Way-153 começa a gerar forte debate entre motoristas e moradores das cidades cortadas pela via. Embora o contrato preveja bilhões em investimentos ao longo das próximas décadas, a cobrança de pedágio já começa com aumentos expressivos, antes mesmo da realização das principais melhorias prometidas.
As praças de cobrança estão distribuídas em cinco municípios ao longo do trecho concedido: Piracanjuba, Itumbiara, Prata, Fronteira e Campo Florido. No entanto, é justamente nas praças mineiras que os reajustes mais chamam a atenção.
No pedágio localizado em Fronteira, próximo ao distrito de Aparecida de Minas e à cidade de Frutal, a tarifa para veículos de passeio salta de cerca de R$ 5 para R$ 12, um aumento superior a 140%. Já no pedágio do município do Prata, o valor passa de R$ 8,40 para R$ 13,20, um reajuste acima de 50%.
Para muitos usuários da rodovia, os novos valores são considerados abusivos, especialmente porque as melhorias prometidas ainda não foram executadas. O contrato de concessão prevê cerca de R$ 10,5 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos, incluindo duplicações, recuperação de pavimento, sinalização, iluminação e outras intervenções estruturais.
No entanto, a crítica central feita por motoristas e lideranças regionais é que a concessionária inicia a operação priorizando a cobrança, enquanto as melhorias ainda dependem de cronogramas futuros. Na prática, quem utiliza diariamente a rodovia — trabalhadores, transportadores e moradores da região — passa a arcar imediatamente com custos muito maiores.
Outro ponto questionado é que o modelo adotado permite que a empresa comece a recuperar o investimento rapidamente por meio das tarifas. Com o alto fluxo de veículos na BR-153, há receio de que o retorno financeiro ocorra em prazo relativamente curto, enquanto obras mais estruturais, como duplicações e modernizações, podem levar anos para sair do papel. Isto, se realmente sair do papel.
Para os usuários da BR-153, a lógica deveria ser inversa: primeiro realizar as melhorias e garantir mais segurança e conforto na rodovia, que está toda esburacada desde o Município de Fronteira (divisa com estado de São Paulo) até o Trevão (entre Prata e Monte Alegre de Minas) para depois justificar o aumento nas tarifas.
Enquanto isso não acontece, a sensação predominante entre quem depende da rodovia diariamente é de que o peso da concessão começa justamente pelo bolso da população, dos usuários das vias que já estarão pagando bem caro pela concessão de uma rodovia, com estrutura de estrada esburacada e mal cuidada.




















