O Brasil deverá enfrentar uma média de 781 mil novos casos de câncer por ano no período entre 2026 e 2028. A projeção é do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e aponta que a doença se aproxima das enfermidades cardiovasculares como principal causa de morte no país.
Os dados fazem parte do estudo Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil, divulgado no Rio de Janeiro durante as ações do Dia Mundial do Câncer. O levantamento mostra que, entre os homens, os tumores mais frequentes são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Já entre as mulheres, predominam os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.
O estudo também evidencia fortes desigualdades regionais. O câncer de colo do útero segue entre os mais comuns no Norte e Nordeste, enquanto o de estômago apresenta maior incidência nessas regiões entre os homens. Tumores ligados ao tabagismo, como os de pulmão e boca, são mais recorrentes no Sul e Sudeste.
Segundo o Inca, essas diferenças estão relacionadas ao acesso desigual à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento, além de fatores como saneamento básico, obesidade e sedentarismo. O aumento dos casos de câncer de cólon e reto preocupa os especialistas, por estar associado à exposição cada vez mais precoce a fatores de risco.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a vacinação contra o HPV tem contribuído para a redução dos casos de câncer de colo do útero e reforçou que a prevenção é o principal caminho, com foco no combate ao tabagismo e à obesidade. Ele também anunciou a adesão da operadora Amil ao programa Agora Tem Especialistas, que vai disponibilizar 600 cirurgias em hospitais privados para pacientes do SUS que aguardam na fila por atendimento.