05 de Junho, 2026 12h06mInovação por Fonte: G1 e Família

Frutalense integra equipe campeã nos Estados Unidos com projeto inovador de preservação arqueológica

Tecnologia desenvolvida por estudantes brasileiros conquista primeiro lugar em Design de Robô no Open da Califórnia e recebe validação de especialistas internacionais Uma equipe de estudantes brasileiros de Boituva-SP, entre eles uma jovem frutalens

Tecnologia desenvolvida por estudantes brasileiros conquista primeiro lugar em Design de Robô no Open da Califórnia e recebe validação de especialistas internacionais


Uma equipe de estudantes brasileiros de Boituva-SP, entre eles uma jovem frutalense, a Theodora Vilela conquistou o primeiro lugar na categoria Design de Robô durante o Open da Califórnia, uma das mais importantes competições internacionais de robótica estudantil realizadas nos Estados Unidos. O reconhecimento veio com a apresentação do projeto Filo, uma solução inovadora desenvolvida para auxiliar na preservação de sítios arqueológicos durante os períodos de pausa nas escavações.


A conquista coroou meses de pesquisa, desenvolvimento e dedicação da equipe, que chamou a atenção de especialistas internacionais ao unir tecnologia, sustentabilidade e preservação histórica em uma única proposta. O projeto foi validado por arqueólogos e pesquisadores de diversos países, além de despertar o interesse de universidades internacionais.


O Filo consiste em uma estrutura projetada para ser posicionada sobre as cavidades abertas durante escavações arqueológicas. Seu objetivo é proteger os artefatos encontrados contra alterações climáticas, excesso de umidade, calor intenso e danos causados pelas chuvas, preservando o equilíbrio ambiental necessário para a conservação das descobertas históricas.


Segundo os estudantes, a proposta surgiu da necessidade de oferecer uma solução prática para um problema enfrentado por arqueólogos em diferentes partes do mundo. “Os arqueólogos realizam as escavações e, muitas vezes, precisam deixar a cavidade aberta por determinado período. O Filo entra em ação justamente nesse momento, protegendo o local e garantindo que fatores ambientais não comprometam os artefatos ou as informações históricas presentes ali”, explicaram.


Além do desenvolvimento tecnológico, os alunos destacam que a robótica tem sido uma ferramenta fundamental para a formação acadêmica e pessoal dos integrantes da equipe. “Sempre buscamos equilibrar o desenvolvimento acadêmico com o desenvolvimento dentro da robótica. Aqui aprendemos processos de engenharia, comunicação, trabalho em equipe e diversas habilidades que serão importantes para o nosso futuro profissional. Ao mesmo tempo, nunca deixamos de lado os estudos, porque eles são essenciais para nossa formação”, relata a integrante da equipe de estudantes Cibeli Lima.


O coordenador do projeto, professor Filipe Escalise, destacou a importância da validação recebida por especialistas da área arqueológica e o impacto alcançado pelo trabalho desenvolvido pelos estudantes. “Quando você vê doutores, arqueólogos e pesquisadores validando um projeto criado por alunos, percebe que o objetivo foi alcançado. Nossa missão sempre foi desenvolver soluções inovadoras para problemas reais. Esse reconhecimento mostra que estamos no caminho certo”, afirmou.


Segundo o professor, a conquista é resultado de um trabalho construído ao longo de vários anos. “É uma realização muito grande e um sonho coletivo. Nossa equipe participa de competições há cerca de cinco anos e chegar a uma conquista internacional dessa magnitude representa o esforço de muitas pessoas. Ficamos extremamente felizes por representar não apenas Boituva, mas também o Brasil”, destacou a integrante Theodora Vilela, frutalense que  é filha da Tatiane Faria com Eteocles Faria e sobrinha do advogado Dr. Elieser Faria (Presidente da OAB Frutal).


A construção do projeto exigiu meses de pesquisa, testes e aprimoramentos. Diversos protótipos foram desenvolvidos até que a equipe chegasse à versão final apresentada na competição. Durante esse processo, os estudantes buscaram o apoio e a avaliação de especialistas de diferentes países.
“Nós enviamos nossa proposta para arqueólogos e pesquisadores ao redor do mundo. A primeira resposta veio de uma professora da Universidade Nacional da Austrália, demonstrando interesse em conhecer melhor o projeto e realizar uma reunião conosco. Foi um momento muito especial perceber que uma ideia desenvolvida por estudantes brasileiros estava despertando interesse do outro lado do planeta”, contaram.

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O contato com a tecnologia começa ainda nos primeiros anos escolares dentro da instituição de ensino responsável pela equipe. De acordo com a coordenação, Daniela Righeto (gerente regional Sesi-SP), os investimentos em programação e robótica têm permitido que os estudantes participem de competições locais, estaduais, nacionais e internacionais, ampliando horizontes e oportunidades. “Hoje temos um investimento significativo em programação e robótica. Os alunos se destacam nas atividades, integram equipes de competição e conquistam oportunidades que os levam a representar o Brasil em eventos internacionais”, ressaltou a direção.


Antes da viagem para os Estados Unidos, os estudantes intensificaram a preparação não apenas na parte técnica do projeto, mas também na comunicação em língua inglesa. Toda a apresentação aos avaliadores precisou ser realizada em inglês, incluindo entrevistas e questionamentos sobre o desenvolvimento da proposta. “Foi necessário aprimorar nossos materiais visuais e treinar bastante o inglês. Nossa apresentação teve cerca de 30 minutos e os avaliadores fizeram diversas perguntas sobre o projeto. Foi um desafio muito importante e também uma oportunidade enorme de aprendizado”, relatou o estudante Jorge Henrique Piqueira.


Para o professor Filipe Escalise, chegar a uma etapa mundial significa carregar a responsabilidade de representar o país. “Eu sempre digo para os alunos aproveitarem a experiência, mas também entrarem fortes na competição. Quando chegamos a um evento desse porte, estamos representando o Brasil. Nosso objetivo era mostrar a qualidade do trabalho desenvolvido aqui e trazer um resultado importante para o país”, afirmou.


O resultado superou as expectativas. Após a competição realizada na Califórnia, a equipe retornou ao Brasil trazendo o título de campeã na categoria Design de Robô, uma das principais premiações do evento. A conquista reforça a capacidade da educação, da pesquisa e da inovação brasileira de competir em alto nível no cenário internacional.


Mais do que um troféu, o reconhecimento obtido pela equipe demonstra como a união entre ciência, criatividade e dedicação pode transformar ideias desenvolvidas em sala de aula em soluções capazes de contribuir para a preservação do patrimônio histórico mundial, levando o nome do Brasil ao topo da robótica internacional.

 

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